Chapter 17 of 30

A Busca pelo Símbolo

1.6k words

O ar frio ainda carregava o cheiro metálico da poeira e o mofo úmido do edifício de Química. Gabriel empurrou a porta de aço, que rangeu como um monstro ferido, ecoando no silêncio da madrugada. A escuridão lá dentro parecia mais densa agora, sem a ameaça do laser vermelho, mas a lembrança da voz distorcida permanecia, um sussurro gelado em sua memória. Ele precisava encontrar o símbolo. Aquele símbolo tribal que Lucas rabiscara no diário, o mesmo que a voz o havia forçado a interpretar na parede, gravado em uma das placas de metal enferrujado.\n\n—Onde está você? — Ele murmurou, a própria voz absorvida pela vastidão do prédio abandonado. — Onde eles esconderam a verdade desta vez?\n\nSeu olhar vasculhou as paredes descascadas, o piso sujo com detritos de concreto e vidro. A luz fraca do seu celular era quase inútil contra a escuridão absoluta. Ele moveu-se devagar, os sapatos esmagando pedaços de algo crocante. Não era algo óbvio, ele sabia. A voz havia dito que ele já entendia as regras. A sutileza era a arma deles. Ele deslizou a mão pela parede úmida, sentindo a textura áspera da tinta velha, os buracos na argamassa. Precisava pensar como eles. Onde esconder um segredo à vista de todos?\n\n—Não é uma coisa, é um sinal — ele concluiu, a ponta dos dedos roçando uma protuberância incomum. Era um entalhe. Quase imperceptível na pedra cinza escura, coberto por camadas de sujeira e musgo. Ele raspou a sujeira com a unha, revelando linhas finas e entrelaçadas. Era ele. O símbolo. Uma espiral que se conectava a outra, formando um nó intrincado, como duas serpentes mordendo suas próprias caudas, mas ligadas no meio. A mesma imagem que Lucas havia desenhado, a mesma que ele vira na placa. Um arrepio correu por sua espinha. Estava ali o tempo todo.\n\n—Então você existe de verdade — ele sussurrou, afastando-se um passo. — Não é uma alucinação, não é um jogo mental. É real. Está sob o meu nariz, sob o nariz de todos. E ninguém vê. Ninguém mais além de mim, agora. Por que eu? Por que me mostrar isso? Qual é o objetivo?\n\nUma sensação de vertigem o atingiu. Era como se as paredes do prédio tivessem acabado de piscar para ele, revelando um segredo compartilhado. Ele sentiu o peso do conhecimento, o fardo de ser o único a perceber. Eles não queriam que ele fugisse. Queriam que ele mergulhasse. Aquele símbolo era um convite, ou talvez uma marca. Uma marca de propriedade. Ele se recusava a aceitar. Mas o que mais poderia fazer, senão seguir as migalhas que deixavam para ele? A busca não era uma escolha, era uma imposição. Ele precisava de mais. Precisava de todas as respostas.\n\n---\n\nO sol já se erguia, lançando sombras longas e distorcidas enquanto Gabriel percorria o campus. A imagem do símbolo tribal estava gravada em sua mente, cada detalhe das linhas retorcidas. Ele via a universidade com outros olhos agora, um mapa de enigmas esperando para ser decifrado. A arquitetura clássica, os pilares imponentes, as fontes borbulhantes — tudo parecia abrigar segredos. Se a primeira estava tão camuflada, as outras também estariam. Ele precisava de uma lupa, de um olhar mais aguçado. A pressa o consumia, um fogo no estômago.\n\n—Eles estão em todo lugar — ele pensou, passando os dedos por um relevo na base de uma estátua de mármore. — Não pode ser o único. Seria muito fácil. Há mais. Eu sei que há mais.\n\nEle examinou cada canto, cada fenda. Na lateral de um banco de pedra, perto da fonte principal, ele o encontrou novamente. Pequeno, quase erodido pelo tempo, mas inconfundível. O mesmo entrelaçado de serpentes. Alguém o havia esculpido ali, com intenção. Não era um grafite recente, era parte da estrutura, disfarçado como um ornamento trivial. Seu coração batia forte. Era como se o campus inteiro fosse um livro aberto, mas escrito em uma língua que só ele começava a entender. Uma língua de poder, de controle.\n\n—Quem mais sabe? — A pergunta ecoou em sua mente. — James? Malik? Eles veem isso? Ou eles *são* isso? Eles *são* os símbolos vivos? A encarnação do controle que essas famílias exercem? Isso é assustador. É mais profundo do que eu imaginava.\n\nEle se moveu para o edifício de Biologia, sua própria casa acadêmica. Se estivesse em todo lugar, estaria aqui também. Seus olhos caíram sobre a moldura de uma janela antiga, gasta pelo tempo. Entre os arabescos de ferro forjado, lá estava. Um pouco maior, mas ainda sutil. Ele sentiu um nó na garganta. Não havia escapatória. A teia não estava apenas tecida ao redor dele; ela era o próprio tecido do lugar. Uma presença constante, silenciosa, sorrateira. Ele não podia mais ignorá-la. Ele não queria ignorá-la. A curiosidade se misturava à adrenalina, forçando-o a seguir em frente.\n\n---\n\nCada nova descoberta acendia uma fagulha de fascínio, mas também jogava baldes de água fria em seu senso de segurança. Gabriel encontrou outro símbolo no corrimão de bronze polido da escadaria principal do prédio de Direito, quase invisível sob o brilho metálico. Depois, um ainda menor, entalhado na base de um mural de azulejos que representava a história da universidade. Parecia uma assinatura secreta, um selo deixado pelos arquitetos de uma realidade invisível. O medo de estar sendo manipulado, de ser um peão em um jogo que nunca poderia vencer, crescia a cada passo. Ele cerrou os punhos. Não seria um peão.\n\n—É uma armadilha, eu sei — ele disse a si mesmo, o som baixo e rouco. — Mas por que me dar as ferramentas para vê-la? É um teste de coragem? De obediência? Ou eles querem que eu lute? Querem que eu me rebele para que possam me dobrar de novo?\n\nO fascínio, porém, era inegável. Era como se o mundo tivesse se expandido, revelando uma camada oculta de significado. Aquela universidade, antes um lugar de liberdade e novos começos, agora era um labirinto, e ele estava no centro, com os fios emaranhados em suas mãos. Ele se sentia exposto, como se cada símbolo que ele descobria fosse um olho que o observava, avaliando sua reação, sua determinação. Ele se viu forçado a uma busca obsessiva por conhecimento, um mergulho em águas cada vez mais profundas e escuras. Ele não podia parar. Precisava saber tudo.\n\n—Quem é o Arquiteto? — ele perguntou ao vazio, a voz carregada de uma mistura de raiva e desespero. — Quem está puxando os cordões? Lucas não é o chefe. Ele é só um capanga sofisticado. Há alguém acima. Alguém que orquestrou tudo isso. Alguém que me trouxe até aqui. E por quê? O que eles querem de mim? Eu não sou especial. Eu sou só um calouro. Um calouro rebelde que só queria viver a própria vida. E agora? O que eu sou agora?\n\nEle sentia a repulsa de ser parte de algo tão antigo e manipulador, mas a adrenalina da caça era viciante. Cada descoberta era um pequeno triunfo, uma rachadura na parede que o separava da verdade. Ele continuava andando, o ritmo dos passos acelerando, as mãos suadas. O próximo símbolo. O próximo segredo. Ele precisava de mais. Precisava de todas as peças para montar o quebra-cabeça. Não podia recuar. Não agora. A busca se tornou a única coisa que importava, a única maneira de se sentir no controle, mesmo que fosse uma ilusão fugaz.\n\n---\n\nO sol já estava alto quando Gabriel chegou à biblioteca antiga, a fachada de pedra coberta de hera e ladeada por gárgulas grotescas. Era um lugar que parecia ter saído de um conto gótico, e a presença dos símbolos tribal ali não o surpreenderia em nada. Ele correu a mão pela parede fria e irregular, sentindo a rugosidade da pedra, o musgo que se agarrava às fendas. O ar aqui era mais pesado, quase sagrado, com o cheiro de livros antigos e poeira acumulada. Ele sentiu um puxão estranho, como se o lugar o chamasse, um ímã invisível. A última peça. Ele sabia que estava perto. A intuição o guiava agora, uma bússola interna que se alinhava com a corrente oculta que permeava o campus.\n\n—Este é o último, não é? — ele murmurou, olhando para cima, para as gárgulas que pareciam zombá-lo com seus sorrisos petrificados. — Onde você está escondido? Onde está a chave para essa prisão que vocês chamam de jogo?\n\nSeu olhar se fixou em uma das gárgulas mais altas, uma figura alada com olhos ocos e garras afiadas. Havia algo de errado ali, uma pequena imperfeição na pedra, quase imperceptível à primeira vista. Ele se esticou, os dedos roçando a base da estátua. Não era uma falha na pedra, mas uma gravação deliberada. Escondido sob a mandíbula esverdeada da criatura, havia outro símbolo. O mesmo. Intacto, como se o tempo não o tivesse tocado. Uma onda de choque percorreu Gabriel. Este era o ponto. O ponto final de sua busca, ou o início de algo muito maior. Ele respirou fundo, o coração batendo como um tambor em seu peito. A decisão. Parar ou continuar. Ele já sabia a resposta. A autonomia que tanto buscava, estava atrelada a desvendar esse mistério. Ele estendeu a mão, o dedo indicador tremendo levemente, e tocou o símbolo esculpido na pedra fria e úmida. Ao tocar o último símbolo que encontrou, escondido sob uma gárgula na fachada da biblioteca antiga, ele ouve um clique suave, e uma pequena fresta se abre na parede de pedra, revelando um túnel escuro e úmido.

End of Chapter 17

Chapter 17: A Busca pelo Símbolo - Território Proibido | Novel AI Studio