Chapter 16 of 30

O Diário Escondido

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O papel rasgado de suas anotações de Biologia ainda queima em sua mente, a mensagem de Malik como uma brasa viva. “Eu avisei.” A raiva pulsa nas têmporas de Gabriel, misturando-se ao medo frio que se aninha em seu estômago. Ele não vai esperar para ser o próximo a ser rasgado. Não de novo. Seu olhar varre o lado do quarto de Lucas. Uma bagunça calculada, pensa Gabriel. Livros empilhados tortuosamente, roupas jogadas sobre a cadeira, uma pilha de revistas pornográficas na escrivaninha. Tudo gritava “estudante universitário típico”, mas Gabriel sabia que Lucas não era típico. Lucas era um Guardião. Lucas era a armadilha. Gabriel fecha a porta com um clique abafado, o som ecoando no silêncio do quarto. Ele inspira fundo, o ar pesado com o cheiro de suor velho e desinfetante. Os punhos se cerram. Não há mais tempo para hesitação. A privacidade de Lucas não significa nada quando a sua própria liberdade está em jogo. Ele começa pelo chão. Chuta a pilha de roupas, revelando apenas meias sujas e camisetas amassadas. Nada. Move a cadeira pesada, arrastando-a para o lado. O tapete barato, com manchas de café, não esconde nada. Frustração borbulha. Sua mão corre para a escrivaninha de madeira compensada, um modelo padrão da universidade. Puxa a primeira gaveta. Canetas secas, papéis rabiscados, um pacote de chicletes. A segunda, mais profunda, guarda cadernos velhos, alguns manuais de disciplinas. Ele vira cada um, folheia rapidamente, procurando por qualquer coisa que pareça fora do lugar, qualquer anotação secreta. Nada além de uma vida estudantil normal. Demasiado normal. Ele mexe na pilha de revistas, jogando-as sobre a cama. Um pequeno calafrio percorre sua espinha. A sensação de estar violando algo, mesmo que necessário, é nauseante. Ele empurra a mão para baixo da pilha de livros na prateleira superior da estante, onde Lucas nunca alcançaria sem um banco. Os dedos deslizam sobre a superfície empoeirada. De repente, um entalhe. Uma pequena fenda na madeira do fundo da prateleira. Gabriel sente um puxão, um clique. Uma seção da prateleira cede, revelando um espaço oco e escuro. Seu coração dispara. Dentro, não há armas nem dinheiro. Não há nada que ele esperasse de um O papel rasgado de suas anotações de Biologia ainda queima em sua mente, a mensagem de Malik como uma brasa viva. “Eu avisei.” A raiva pulsa nas têmporas de Gabriel, misturando-se ao medo frio que se aninha em seu estômago. Ele não vai esperar para ser o próximo a ser rasgado. Não de novo.Seu olhar varre o lado do quarto de Lucas. Uma bagunça calculada, pensa Gabriel. Livros empilhados tortuosamente, roupas jogadas sobre a cadeira, uma pilha de revistas pornográficas na escrivaninha. Tudo gritava “estudante universitário típico”, mas Gabriel sabia que Lucas não era típico. Lucas era um Guardião. Lucas era a armadilha.Gabriel fecha a porta com um clique abafado, o som ecoando no silêncio do quarto. Ele inspira fundo, o ar pesado com o cheiro de suor velho e desinfetante. Os punhos se cerram. Não há mais tempo para hesitação. A privacidade de Lucas não significa nada quando a sua própria liberdade está em jogo.Ele começa pelo chão. Chuta a pilha de roupas, revelando apenas meias sujas e camisetas amassadas. Nada. Move a cadeira pesada, arrastando-a para o lado. O tapete barato, com manchas de café, não esconde nada. Frustração borbulha.Sua mão corre para a escrivaninha de madeira compensada, um modelo padrão da universidade. Puxa a primeira gaveta. Canetas secas, papéis rabiscados, um pacote de chicletes. A segunda, mais profunda, guarda cadernos velhos, alguns manuais de disciplinas. Ele vira cada um, folheia rapidamente, procurando por qualquer coisa que pareça fora do lugar, qualquer anotação secreta.Nada além de uma vida estudantil normal. Demasiado normal. Ele mexe na pilha de revistas, jogando-as sobre a cama. Um pequeno calafrio percorre sua espinha. A sensação de estar violando algo, mesmo que necessário, é nauseante. Ele empurra a mão para baixo da pilha de livros na prateleira superior da estante, onde Lucas nunca alcançaria sem um banco. Os dedos deslizam sobre a superfície empoeirada.De repente, um entalhe. Uma pequena fenda na madeira do fundo da prateleira. Gabriel sente um puxão, um clique. Uma seção da prateleira cede, revelando um espaço oco e escuro. Seu coração dispara.Dentro, não há armas nem dinheiro. Não há nada que ele esperasse de um assassino ou um mercenário. Há apenas um pequeno diário de capa de couro escuro, gasto nas bordas. Gabriel o puxa para fora, a textura fria do couro envelhecido sob seus dedos. É fino, quase insignificante, mas seu peso parece carregar uma gravidade imensa.O coração de Gabriel martela no peito enquanto ele o abre. A primeira página contém apenas uma data e o nome “Lucas Andrade” em caligrafia impecável. As páginas seguintes são preenchidas com anotações que, à primeira vista, parecem comuns: horários de aulas, lembretes de estudos, observações genéricas sobre a vida no campus. Uma fachada perfeita.Ele folheia mais rápido, suas esperanças de encontrar algo concreto diminuindo. Então, uma data salta aos olhos. O dia em que Malik o alertou. Uma data que ele nunca esqueceria. Sob ela, uma linha em uma tinta ligeiramente diferente, mais escura, como se escrita com mais pressão: “Sujeito Gabriel exibiu sinais de desconfiança após interação com Malik. Hipótese: conexão com ‘incidentes’ anteriores. Necessidade de reforçar Protocolo de Confiança.”A respiração de Gabriel engasga em sua garganta. Lucas estava o observando. Não apenas um colega de quarto, mas um observador. Ele vira as páginas com dedos trêmulos. “Introduzido ‘encontro casual’ com Professor Elisa durante projeto de pesquisa. Sujeito respondeu positivamente. Objetivo: integrar mais profundamente na estrutura acadêmica para monitoramento contínuo.” Gabriel recorda a súbita atenção de Elisa, a facilidade com que ela o acolheu em sua pesquisa. Parecia uma oportunidade, um golpe de sorte. Agora, parece uma teia cuidadosamente tecida.A palavra “Guardian” aparece repetidamente, seguida por códigos e números. “Fase Um: Infiltração. Fase Dois: Observação e Integração. Fase Três: Colheita.” Colheita? Um calafrio corre por sua espinha. As anotações detalham suas próprias conversas, seus hábitos de estudo, até mesmo seus horários de sono. Lucas sabia o que ele comia no café da manhã, as músicas que ouvia, os livros que ele lia. Não eram meras observações; eram registros de controle.Gabriel sente o estômago revirar. Cada decisão que ele pensou ser sua, cada passo que ele deu, parecia ter sido coreografado. O diário descreve “o programa”, “a rede”, “o Arquiteto”. Termos frios e distantes, mas que se referiam à sua própria existência. Lucas não era um colega de quarto; era um carcereiro, um manipulador disfarçado de amigo. Seus piores medos se confirmam: ele é uma marionete, sua vida uma experiência controlada.A tinta no diário começa a parecer mais apressada, as palavras mais condensadas. Gabriel sente a urgência crescendo em cada linha. As últimas páginas são quase caóticas, cheias de códigos incompreensíveis e referências a “pressão crescente” e “falhas no protocolo”. “A consciência do Sujeito está se desenvolvendo mais rápido do que o previsto. Risco de colheita prematura.” Lucas estava com medo, Gabriel percebe. Medo de quê? Medo dele?As folhas ficam mais finas sob seus dedos. Ele alcança o final do diário. A última página não está apenas escrita; está rasgada de forma violenta, um pedaço arrancado como se por desespero ou raiva. A borda é irregular e áspera. Uma pequena parte da página ainda permanece, e nela, algumas palavras estão rabiscadas em uma caligrafia diferente da de Lucas, mais grosseira, quase ilegível.Parece uma nota apressada, talvez adicionada por outra pessoa, ou pelo próprio Lucas em um momento de pânico extremo. O papel está manchado, talvez com café derramado, mas o tom escuro evoca algo mais sinistro, como sangue seco. Gabriel se inclina, tentando decifrar as letras borradas. O medo aperta sua garganta, um frio que se irradia de seu peito até as pontas dos dedos. Ele consegue distinguir as palavras, uma por uma, cada uma um golpe em sua mente: “Ele sabe. A… chave… está… em… você. Não… olhe… para… trás.”A respiração de Gabriel fica presa em seus pulmões. O silêncio do quarto é esmagador, quebrado apenas pelo som tumultuado de seu próprio coração. Ele sabe. Quem sabe? O Arquiteto? Malik? E a chave? Que chave estava nele? Ele era a chave para o quê? A última frase, um aviso, uma súplica, uma condenação, ecoa em sua mente. Ele não consegue tirar os olhos das palavras. As letras parecem vibrar no papel manchado, um presságio, uma promessa de terror que se aproxima. O diário de Lucas não era apenas uma revelação; era um alerta. Um aviso que ele já estava pagando para ter ignorado. Não olhe para trás. A sensação de ser observado se intensifica, um toque gelado em sua nuca. Ele está preso, e o jogo está longe de terminar. Ele está no centro de tudo, e a chave é ele. O pânico sobe por sua garganta, um grito silencioso que ele não pode soltar. A porta do quarto de Lucas se abre com um rangido suave.

End of Chapter 16