Chapter 9 of 50
Os Presentes
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*CAPÍTULO 9 — Os Presentes*
Noite. Depois da festa.
A mansão Valcrest vazia de novo. No meio da sala, 47 caixas de presente de nobres que ela nem conhece. E duas caixas separadas no sofá.
Aira, 5 anos, bochecha inchada do soco da Eris, sem óculos pretos porque ainda tá com raiva e deixou eles jogados no chão. Os olhos Azure acesos, brilhando na sala escura.
Celestia: "Não vai abrir?"
Aira: "Depois. Tô cansada."
Celestia puxa a caixinha pequena de veludo azul.
"Esse é o meu. Abre esse primeiro."
Aira abre. Dentro, um grimório. Capa de couro velho, pesado. Não é de teoria básica. Na capa, escrito à mão: _Magia de Cura e Barreira - Sem Voz - Anotações da Celestia Valcrest._
Aira congela.
"Você... escreveu isso?"
"Escrevi quando tava grávida de você. Eu vi que você aprendia cura sozinha e ficava com dor de cabeça. Então traduzi tudo que eu sabia pra sem voz. Pra você não precisar aprender sangrando."
Aira abraça o grimório forte. Pela primeira vez hoje, os olhos dela brilham sem ser de raiva.
Adrian chega com a segunda caixa. Uma caixa comprida, quase do tamanho dela.
"Meu."
Aira abre. Dentro, uma espada. Não é de madeira. É de aço real. Grande. Lâmina de 1,20m. Ponta quase arrasta no chão quando ela tenta levantar.
Ela tenta empunhar com as duas mãos e quase cai pra trás.
"Pai... é grande demais! Eu não consigo!"
Adrian segura a lâmina junto com ela.
"É pra ser grande. Espada pequena você já sabe usar. Essa aqui é pra quando você tiver 12, 15. Pra você olhar pra ela todo dia na parede e lembrar que ainda tem onde crescer. Valcrest não usa espada de criança."
Aira fica segurando aquela espada gigante que ela não aguenta, com o grimório da mãe no colo. Uma no presente, outra no futuro.
"Pode doar as outras 47 caixas, mãe. Eu só quero essas duas."
*Uma semana depois.*
A biblioteca que ficou silenciosa por 2 anos, agora tem porta batendo todo dia às 7h da manhã.
POW.
"ARISU! BORA TREINAR!"
Eris, sem bater, de roupa de treino rasgada, puxa a Aira pela manga.
Aira, de óculos pretos, no meio do círculo mágico que ela tava desenhando: "Eris, eu tô estudando magia avançada..."
"CHATO! MEU AVÔ DEIXOU VOCÊ IR PRA ROA HOJE! VAMOS!"
E ela arrasta.
Desde o aniversário, é assim. A Marquesa Hilda e Phillip mandam convite todo dia: "Por favor, tragam a Lady Valcrest pra gastar energia da nossa filha". Celestia deixa na hora.
_Reino de Roa - Campo de treino Boreas._
Pela primeira vez, Aira tira os óculos no treino. De propósito.
Eris com espada de madeira: "Por que você sempre usa aquele óculos feio?"
"Porque se eu tiro, eu vejo tudo. Vejo a mana da sua espada antes de você bater. Vejo onde você vai pisar. Dói a cabeça, mas... eu quero treinar assim."
Eris: "Então treina sem! Se doer, você me bate e passa!"
Elas começam. Eris avança com físico de 7 anos, muito mais forte. Aira, 5 anos, magrela, com espada de madeira porque a de aço do pai ficou pendurada na parede do quarto, tentando defender. Sem os óculos, os olhos Azure acendem, ela vê o fluxo da mana da Eris.
"Esquerda!"
Ela defende, mas o corpo não acompanha a visão. Cai sentada.
Eris aponta a espada: "Viu? Você vê, mas seu corpo é lento! De novo!"
Aira limpa o sangue do nariz, coloca os óculos pretos de volta por um segundo pra descansar a dor, depois tira de novo.
"De novo."
No muro, um dos mordomos de Roa olhando as duas e balançando a cabeça: "A ruiva só sabe avançar, a de cabelo branco vê demais e não aguenta. Vai dar trabalho essas duas."
No fim do dia, carruagem de volta pra Valcrest. Aira dorme encostada na janela, com o grimório da mãe aberto na página de cura no colo e os óculos pretos tortos na cabeça. A espada grande do pai ficou em casa, pendurada na parede, esperando ela crescer. Sem precisar se esconder.