Chapter 20 of 50
Dead End de Quatro e O Choro em Valcrest
650 words
*CAPÍTULO 20 — Dead End de Quatro e O Choro em Valcrest *
*Parte 1 — Rikarisu, 3 dias depois do céu verde*
A cabana da Ciel ficou pequena.
Eris não largava a Aira. Sentada no chão, abraçada na cintura dela.
"Você sumiu! No treino! Veio aquela luz e você sumiu!"
Aira com o óculos amarelo torto amassado: "Eu também caí, gorila. Caí numa floresta roxa e quebrei a perna."
Rudeus entrou com o Ruijerd. Ciel trouxe água. Chis na porta, olhando o Superd com medo.
Ruijerd olhou pro olho da Aira por trás da lente amarela improvisada torta.
"Olho amaldiçoado."
"Não é maldição", Aira fechou o olho por reflexo, "é herança."
Rudeus sentou, exausto. Falou baixo em japonês pra só ela ouvir:
"Como você sobreviveu? A gente caiu de 20 metros."
"Vento. Você me ensinou de brincadeira. Eu caí de mais alto, num lago de musgo. E vocês?"
Rudeus: "A gente caiu perto daqui. No ninho de monstro. 3 dias andando sem comer direito. Eris brigou com 2 aventureiros ontem porque chamaram o Ruijerd de assassino."
Eris: "EU BATI POUCO!"
Ciel interrompeu: "Vocês não podem ficar. A vila tem medo do Superd. Mesmo eu deixando entrar hoje, os velhos vão reclamar amanhã."
Ruijerd: "Eu sei. Vamos partir amanhã de manhã pra Rikarisu tentar dinheiro."
Eris pulou: "A GENTE VAI JUNTO! AGORA É QUATRO! DEAD END DE QUATRO!"
Aira olhou pra Ciel, pra perna que ainda doía mas já aguentava andar.
"Eu vou. Tô recuperada. Quase."
Ciel jogou um saco pra ela. Pão duro, erva roxa e um segundo cristal amarelo bruto reserva.
"Pro próximo óculos quando esse quebrar de novo. Você fez sozinha, você faz de novo."
Aira guardou o cristal junto com a armação quebrada original do James que tava no bolso.
"Dead End de quatro então."
Rudeus sorriu pela primeira vez em 3 dias: "Dead End de quatro."
*Parte 2 — Mansão Valcrest, Capital Ars, 3 dias depois do incidente*
A carta chegou às 19h. Selo de Roa. Urgente.
Adrian Valcrest limpando a espada. Terceira vez no dia. Celestia abriu a porta com a carta tremendo.
"Adrian..."
Ele leu em pé.
> _Incidente de teletransporte nível divino em Roa. Região Boreas atingida. Quatro desaparecidos confirmados no local: Eris Greyrat, Rudeus Greyrat, Ghislaine Dedoldia e Aira Valcrest. Nenhum corpo. Local de destino desconhecido. Sauros pede apoio._
A espada de 1,20m que tava na parede esperando a Aira crescer caiu no chão com o vento da janela.
Celestia: "O que é desaparecidos?"
Adrian amassou a carta: "Ela era pra ficar dois meses só... dois meses e voltar e me mostrar que alcançou minha espada..."
Foi até o quarto da Aira. Quarto com paredes cheias de anotações em 4 línguas. Na mesa, o grimório de cura que a Celestia escreveu. Aberto.
E no cantinho, o par reserva do óculos preto grosso velho, que ela não usava mais.
Celestia pegou o óculos preto velho e apertou contra o peito.
"Ela foi com o amarelo... o do James... o reserva preto ficou aqui... ela tá sem reserva..."
Adrian socou a parede. Rachou a madeira.
"10 anos, Celestia. Dez!"
Celestia desabou sentada no meio dos livros da filha. Chorando sem barulho. Igual quando a Aira ficou sozinha no jardim com 2 anos.
"Ela aprendeu 3 línguas sozinha porque ninguém brincava... ela fez fogos pra Eris... ela prometeu que ia dançar de novo..."
Adrian se ajoelhou do lado. Sem postura Valcrest. Só pai.
"Ela tá viva. Valcrest não morre sumindo. Ela tá viva em algum lugar. Eu vou achar."
Lá fora os empregados não subiram. Deixaram os dois no quarto com a espada grande no chão e um óculos preto velho na mão.
Muito longe, no Continente Demoníaco, a menina de óculos amarelo torto improvisado espirrou.
"Quem tá falando de mim..."
Eris: "DEVE SER SEUS PAIS! QUANDO VOLTAR EU CONTO QUE ROUBOU MINHA SOPA!"
Aira: "EU NÃO ROUBEI!"
E começaram a brigar de novo.