Chapter 16 of 50

O Céu Verde

754 words

*Capítulo 16 - O Céu Verde* --- Dois meses depois do debut da Aira. O aniversário de 10 anos do Rudeus não teve a festa enorme que teve no aniversário da Eris. Foi só no salão pequeno da mansão em Roa. Só a família Boreas e a família Valcrest. Sauros, Philip, Hilda, Ghislaine, Eris, Rudeus e Aira. Bolo pequeno de frutas, sem músicos. O presente do Sauros pro Rudeus foi um cajado novo. Madeira clara de trezentos anos, com uma pedra azul na ponta. Mais leve que o antigo. "Pra você parar de quebrar o outro treinando com a minha neta", Sauros riu. Aira ganhou da Celestia, antes dela ir embora, uma caixinha. Dentro, um segundo par de óculos amarelos idêntico ao que o James fez. "Caso você quebre o primeiro brigando com a Eris", a mãe sussurrou e beijou a testa dela. No dia seguinte, a carruagem Valcrest voltou para a capital Ars. Adrian abraçou Aira forte no portão. "Dois meses. Só dois meses treinando com a Ghislaine. Depois você volta e me mostra que alcançou minha espada." "Um dia", ela respondeu, com os óculos amarelos novos já no rosto. Ela ficou. Era para ser só dois meses. --- Tarde. Campo afastado atrás da mansão Boreas. O lugar que a Ghislaine sempre usava para testar magia sem destruir a casa principal. Rudeus com o cajado novo. Eris com espada de madeira. Ghislaine de braços cruzados. Aira com vestido simples de treino e os óculos amarelos. "Vai, Rudeus. Testa o Canhão de Água com o cajado novo", Ghislaine ordenou. Rudeus levantou o cajado. A pedra azul brilhou. Ele respirou fundo para conjurar. O céu ficou verde. Não foi aos poucos. Foi de uma vez só. O sol sumiu. O azul virou um verde doente, como se o céu estivesse rasgado. O ar ficou pesado, tão cheio de mana que até a Eris, que não usava magia, sentiu o peito apertar. "Ghislaine?!" Eris gritou, largando a espada de madeira. Ghislaine já estava com a espada de verdade na mão, olhos arregalados. "Feitiço de teletransporte! Nível divino! Todo mundo perto de mim! AGORA!" Um círculo gigante de luz branca se abriu no chão. Não era um círculo mágico normal. Não tinha fórmula. Era mana pura, gritando, engolindo tudo. O feixe subiu. Enorme. Maior que a mansão. Maior que Roa. Engoliu o campo, engoliu as árvores, engoliu os quatro. A última coisa que Aira viu foi a mão da Eris tentando segurar a dela. Os dedos quase se tocaram. Não alcançaram. --- Céu do Continente Demoníaco. Aira acordou caindo. Sozinha. A 200 metros do chão. Embaixo, pedras vermelhas e uma floresta roxa que nunca tinha visto. Vento cortando o rosto. Ela estava no céu. Sem Rudeus. Sem Eris. Sem Ghislaine. O óculos amarelo tinha quebrado na luz do teletransporte. Só sobrou a armação torta pendurada na orelha. O olho Azure abriu sozinho. Sem filtro, com toda a mana densa e suja do Continente Demoníaco entrando de uma vez só, ele começou a queimar por dentro. Ela gritou de dor. Mas lembrou da voz do James no caderninho. "Mana é fluxo. Você controla o fluxo, não ele que te controla." Ela juntou toda a mana que tinha no corpo. Apontou as duas mãos para o chão e gritou o único feitiço de vento que Rudeus tinha ensinado para ela de brincadeira, um mês atrás. "Ventania!" Uma explosão de vento embaixo dela. Fraca. Não parou a queda, só diminuiu um pouco a velocidade. Ela bateu com tudo numa árvore de folhas roxas, quebrou galhos, rolou e caiu no chão de musgo preto. Viva. Pernas doendo muito. Braços todos ralados. Respirando rápido. Levou a mão trêmula no olho esquerdo. Quando tirou, a palma estava suja de sangue vermelho. Vermelho vivo, escorrendo da borda do olho Azure que não parava de brilhar. Veias vermelhas aparecendo ao redor dele, pulsando, queimando. Ela tentou levantar. A perna falhou. Na frente dela, entre as árvores roxas, passos. Uma lança curta, apontada para ela. Um menino. Corpo pequeno, parecia ter 10 anos, mas devia ter muito mais. Cabelo azul-claro com mechas roxas, pele clara, olhos da mesma cor. Usava roupas simples da vila e uma faixa preta na cabeça, igual a que a Roxy usava pra se proteger do sol. Ele tinha aquela aparência infantil dos Migurds, que mantém o corpo de criança por 150 anos. Ele apontava a lança tremendo, com medo e curiosidade. "Quem... quem é você?" Aira não respondeu .E ele nunca tinha visto uma humana de olhos brilhando caindo do céu.

End of Chapter 16