Chapter 13 of 50
O Aniversário da Gorila Vermelha
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*CAPÍTULO 13 — O Aniversário da Gorila Vermelha*
_Se passaram 4 meses desde o pacto da biblioteca._
Nesses 4 meses, Roa virou rotina. Manhã: espada com Ghislaine. Tarde: magia com Rudeus e Aira no campo. Noite: etiqueta com Edna Rayrune.
Edna quase infartou com a Eris. Eris aprendendo a andar de vestido era igual a Aira aprendendo a não ler 10 livros por dia. Impossível.
Quem salvava era a Aira.
"Arisu, esse vestido coça, essa mulher fala fino, eu vou socar ela!"
"Se você socar a Edna, a Ghislaine te coloca pra correr 20 voltas. Respira. Um pé na frente do outro. Igual desviar de espada, só que mais chato."
Eris respirava fundo e tentava de novo. Pisava no próprio vestido e caía. Aira segurava pra não rir.
_Manhã do aniversário de 10 da Eris._
Mansão Valcrest. 8h.
Celestia arrumando o cabelo preto da Aira. Vestido azul claro simples, limpo, único vestido de festa que ela tinha. Óculos pretos finos já no rosto, novos, leves, do James.
Adrian na porta, com a espada na cintura, braços cruzados: "Princesa, hoje sem livro e sem treino de fluxo, tá? Hoje é da Eris."
"Sem livro, pai. Hoje é da Eris."
_Mansão Boreas Greyrat. 19h._
Salão lotado. Nobres de Fittoa toda. Luz amarela, música alta, cheiro de comida cara.
Eris no centro. 10 anos, vestido vermelho vivo, cabelo ruivo finalmente penteado, cara de quem preferia estar com armadura e espada.
Sauros discursando orgulhoso, Philip rindo com vinho, Hilda chorando de orgulho.
Hora da dança de debut. Tradição de Roa. A primeira dança da vida.
Edna Rayrune empurra Rudeus, 7 anos, de terno pequeno, cabelo castanho penteado pra trás. Ele tropeça no próprio pé, morrendo de vergonha.
Pega a mão da Eris. Eris pisa no pé dele. Duas vezes. Quase cai. Rudeus segura firme. Dançam torto, desajeitado, mas dançam até o final da música. Quando termina, o salão todo aplaude.
Eris vermelha que nem o vestido.
Da mesa lateral, Aira de pé batendo palma mais forte que todo mundo: "VAI ERIS!"
Eris vê ela da pista e sorri com todos os dentes, esquecendo a vergonha.
_22h. Festa acabando._
Todo mundo dentro, comendo bolo. Aira puxa a Eris pela mão suja de doce.
"Vem comigo."
Telhado da mansão Boreas. Telha fria. As duas descalças, vestidos de festa já sujos de terra e de queda.
"O que a gente tá fazendo aqui? A gente vai cair! A Ghislaine vai matar a gente!"
"Olha pro céu."
Aira tirou os óculos finos devagar. Os olhos Azure acenderam forte no escuro da noite, quase máximo, mas sem dor. Ela já controlava.
Levantou a mão. Sem voz. Sem círculo. Dois meses treinando escondida só pra isso. Gasto quase zero.
_Fireworks._
Um pequeno branco sobe e estoura em azul. Depois mais três. Depois dez de uma vez. Vermelho, azul, dourado. O céu de Roa inteiro iluminado.
Eris agarrou no braço da Aira em pânico real.
"O CÉU TÁ CAINDO! ARISU O CÉU TÁ CAINDO! A GENTE VAI MORRER!"
"Não tá caindo, bobona! É presente! É fogo de artifício! É pra você!"
Eris parou de tremer. Olhou pra cima. As luzes refletindo no cabelo vermelho dela, nos olhos verdes arregalados.
"...É lindo."
"Eu fiz pra você não esquecer dos 10 anos nunca."
As duas deitadas no telhado, vestidos caros sujos de poeira, olhando o céu cair em luz.
Lá embaixo, no jardim, Rudeus saiu e viu as luzes no céu. Parado. Ele reconheceu o círculo na hora: sem voz, eficiência perfeita.
Ao lado dele, Ghislaine de braços cruzados, olhando pro telhado.
Ghislaine: "Valcrest..."
Rudeus, baixo: "É a Aira."