Depois desse flashback todo, espero que já tenha entendido minha história e a situação em que eu vivo. Sou uma pirata no meio de uma tripulação inteira, tenho 18 anos e é claro que sou uma das várias inimigas e inimigos dos nobres, eles nos odeiam e nós, piratas, odiamos eles também. É um ciclo de ódio sem fim, ainda mais hoje quando saqueamos a casa de um nobre rico que era aparentemente importante.
Enquanto nós íamos para o navio com jóias e comidas de luxo, percebemos que estávamos sendo perseguidos por alguns guardas. Nós decidimos recuar o mais rápido possível.
- Rápido! Recuar para o navio! Partiremos para o Sul! - gritou o capitão
Voltamos para o navio com todos os produtos roubados com sucesso. Eu eu estava ocupada demais colocando as jóias no local indicado, quase não vi a princesa Katherine atrás dos guardas que pareciam estar dando uma bronca severa nela. Não entendi o motivo dela estar lá ao invés do palácio, mas ela não parecia estar nem um pouco arrependida por... seja lá o que tinha feito.
Finn, um dos piratas que estavam por perto se aproximou de mim ao ver minha expressão confusa:
-Ah, aquela é a princesa da Inglaterra, Katherine. Ouvi dizer que ela andou fugindo do castelo esses dias e ninguém encontrou ela por dois dias.
-A princesa da Inglaterra? Fugiu pra onde?
- Ninguém sabe, ela só fugiu e agora está tomando uma bronca dos guardas. O Rei deve estar louco de raiva com ela.
- Que loucura, nunca vi uma princesa fugir assim do nada, e ela não parecia estar arrependida.
- É verdade, mas agora vamos focar na nossa próxima parada, vamos para o Sul.
Eu acenei com a cabeça e continuei fazendo... Bem, coisas que piratas fazem, checar as velas e os canhões, esconder o que roubamos, etc.
Quando chegamos no Sul, uns três dias depois, paramos em uma espécie de floresta escondida na área. Alguns ficaram para cuidar do navio e outros se separaram para procurar mantimentos para nossa próxima viagem. Eu encontrei uma pequena casa no meio de algumas árvores e parecia estar bem conservada apesar de parecer abandonada.
Obviamente eu entrei por pura curiosidade, parecia ter algo interessante lá dentro, só não esperava encontrar o que encontrei quando entrei num cômodo que parecia ser uma biblioteca pequena: Lá havia uma luz acesa, alguém parecia estar lendo um livro em silêncio absoluto. Me aproximei com cuidado e vi uma silhueta de uma garota com traços delicados, cabelo loiro e um vestido nobre. Logo reconheci que era a princesa da Inglaterra, Katherine Rosemont, é claro que fiquei surpresa ao ver ela assim no meio de uma casa humilde lendo um livro como uma cidadã comum.
Quando ela me notou, arregalou os olhos e se levantou bruscamente:
- Uma pirata? O que está fazendo aqui?
- Pergunto o mesmo a você, princesa Katherine.
- Não me chame assim, pirata. Alguém mais sabe que estou aqui?
- Não sei, mas deveriam saber que uma princesa está fugindo para lugares aleatórios.
- Não estou fugindo, estou me livrando daquele palácio e regras ridículas. Também não aguento mais aqueles jantares formais e reuniões sem sentido.
- Não aguenta ficar no palácio? Todos sonham em entrar lá. Você mora lá.
- Todos sonham em morar lá porque não sabem o quanto é sufocante viver presa naquele lugar cheio de gente narcisista que acham que podem controlar tudo.
- Deixa eu ver se eu entendi... Você está fugindo do palácio para se livrar dessas "regras e pessoas sufocantes"?
- Sim, e você não deveria estar me ouvindo falar disso, preciso ser discreta para não me acharem.
- Acho difícil você ser discreta com o título de princesa. E esse vestido espalhafatoso também.
- Eu sei bem disso, pirata. Agora saia do meu esconderijo.
- Eu? Sair do esconderijo de uma princesa fugitiva? É raro demais para eu apenas ignorar.
- Tanto faz, só não vá espalhar para ninguém.
- Não vou. Só queria saber como pretende sobreviver fugindo assim.
- Não sei, só sei que não quero voltar para lá. Ainda mais se descobrirem que estou falando com uma pirata aleatória que nem conheço. Isso sem falar que você deve odiar os nobres, assim como todo pirata.
- Tem razão, desprezo todos os nobres, não passam de narcisistas que fazem o que querem, pensando mais no resultado do que no processo. Mas você não parece ser assim, é estranho. Você parece suportar eles tanto quanto eu.
- Não suporto eles mesmo, ao ponto de preferir falar com uma pirata estranha do que com meu próprio pai.
- Você é estranha demais, sabia?
- Eu sei, mas não tanto quanto uma pirata que entra do nada numa casa no meio do nada e vem conversar com uma princesa fugitiva. Qual seu nome mesmo?
- Robin, Robin Morgan. A pirata que saqueou aquela casa de um nobre rico enquanto você levava um sermão daqueles guardas.
- Ah, então é você. Não parece tão perigosa quanto dizem.
- Cuidado com o que fala, princesa. Posso te mostrar o contrário.
Antes que ela pudesse responder qualquer outra coisa, ouvi a porta ser arrombada (o que era completamente desnecessário, a porta estava destrancada...). Quando percebi que eram os nobres, pulei pela janela por reflexo e estendi a mão para que Katherine viesse junto:
- Vem logo se não quiser voltar para o palácio.
Sem hesitar, a princesa pulou da janela surpreendentemente bem para quem estava de salto alto. Nós corremos para ficar atrás de uma árvore com um tronco largo e esperamos até os guardas saírem.
(Continuo depois, espero que estejam gostando)