Chapter 47 of 50
Conversa de Pai
773 words
*CAPÍTULO 47 — Conversa de Pai*
*Corredor do Prédio Feminino, 19h20. Depois do refeitório.*
James puxando Aira Valcrest pela gola do casaco preto e dourado até o quarto 302. Aira ainda com as duas mãos enfaixadas, óculos amarelo torto, com gosto de futon na boca que o Ciel deu.
Aira: "James, você tá me arrastando igual quando eu tinha 2 anos e lia 12 livros ao mesmo tempo!"
James abre a porta do quarto 302, empurra ela pra dentro, fecha a porta. Quarto pequeno, duas camas, janela pra neve de Sharia. A cama vazia da colega que ainda não chegou.
Ele não tá bravo por causa do Orsted.
James senta na cama vazia, tira os óculos tortos dele, limpa com a capa amarrotada. Voz de pai cansado.
James: "Lady Aira... eu não te tirei dali por causa da cicatriz."
Aira, parada no meio do quarto: "Não?"
James: "Não. Eu te tirei porque se você ficasse mais 2 minutos ali, ia virar briga de taverna. E você nem ia entender o porquê."
Aira: "Briga? Mas era só jantar..."
James olha pra ela. 15 anos, 1,70m, Rank A, matou monstro de 12º andar sozinha, segurou mão de vampira que congela tudo, mas não entende nada de coração.
James, direto, que nem pai:
James: "O que você sente pelo Ciel? E pela Luminous?"
Aira congela. Óculos amarelo embaçado.
Ela pensa de verdade. Não é resposta pronta.
Aira, sentando na própria cama, com as mãos enfaixadas no colo:
Aira: "O Ciel... ele é igual o Rudeus. Ele me ajudou quando eu quebrei a perna na floresta roxa. Ele me deu o cristal amarelo reserva quando meu óculos quebrou. Ele saiu da vila dele pra vir me encontrar. Ele é... meu irmão de estrada. Igual Rudeus. Igual Eris. Da Dead End de quatro."
James anota mentalmente. Irmão. Não amor. Ainda não.
Aira continua, olhando pra janela onde a luz da Luminous ainda tá acesa no refeitório lá embaixo:
Aira: "E a Luminous... ela é diferente. Ela é uma igual. Todo mundo me chamou de monstro desde os 10 meses por causa do meu olho. Ela também. Todo mundo tem medo dos olhos dela de heterocromia. Todo mundo tem medo dos meus de alvo. Quando eu segurei a mão dela congelada... não doeu porque era monstro. Foi porque finalmente alguém igual a mim não precisava se esconder."
Ela ajeita o óculos amarelo torto, sorri pequena:
Aira: "Eu gosto de ficar com ela. É silencioso. Igual quando eu usava óculos preto."
James ouve. Entende tudo. A menina de 2 anos que deu um passo pra trás quando ele foi embora agora tem duas pessoas que ela quer proteger, mas não sabe nomear.
James levanta, vai até ela, coloca a mão na cabeça branca dela, igual fazia quando ela tinha 1 ano e meio e lia 12 livros.
James, voz de pai de verdade agora, não de professor de Ranoa:
James: "Lady Aira... tenta pensar neles com outros olhos."
Aira: "Outros olhos? Como meu Azure?"
James: "Não. Com olhos de 15 anos. Não de Rank A, não de Bruxa de Óculos Amarelo, não de Pequena Tempest. De Aira Valcrest."
James aponta pra janela, pro refeitório onde Luminous ainda tá sozinha com o pão doce que a Aira pagou, e pro pátio onde Ciel de cabelo azul ainda tá sentado na neve esperando ela voltar:
James: "O Ciel não atravessou continente por irmão. Irmão não te dá comida na boca na frente da universidade inteira. E a Luminous... 22.000 anos sozinha, e você foi a primeira pessoa que pagou pão doce pra ela e segurou a mão dela sangrando. Isso não é só 'igual'."
Aira arregala os dois olhos Azure por trás do óculos amarelo. Não entende ainda, mas guarda.
Aira: "Você tá falando que nem a mamãe Celestia falava quando eu não entendia as coisas..."
James sorri, com os olhos marejados, porque ele sabe que Celestia e Adrian não estão mais aqui pra ter essa conversa:
James: "É porque agora sou eu que tenho que falar. Vai dormir, Lady Aira. Amanhã você decide o que faz com o futon, com o pão doce e com os dois lá embaixo."
Ele sai, fecha a porta do 302 devagar.
Aira fica sozinha no quarto vazio, com as duas mãos enfaixadas, olhando pra cama vazia do lado e pra janela com a neve de Sharia.
Pela primeira vez em 2 anos desde o funeral, ela não sussurra "mãe, cheguei na escola". Ela sussurra sozinha:
Aira: "Outros olhos..."
Lá embaixo, Luminous ainda olhando pro pão doce congelado que a Aira pagou. E Ciel ainda sentado na neve, pensando: _Luminous ganhou hoje, mas amanhã eu ganho._