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Chapter 44: O Sussurro Proibido
390 words
O ar no quarto era um peso constante, denso e frio, como um lençol de chumbo. Aira passava a ponta do dedo, de novo e de novo, sobre os traços e pontos gravados na base da porta de carvalho. A madeira era áspera sob sua pele, as imperfeições da gravação quase familiares agora. FUGA. RUDRA. As duas palavras eram âncoras na sua mente, promessas e enigmas. Quem as havia deixado? E por quê?
Ela se inclinou mais perto, os olhos fixos na sequência que formava “RUDRA”. Não era uma palavra comum. Rudra. O som era antigo, quase um eco distante de algo que ela não conseguia identificar. Tentou puxar de sua memória as lendas, os contos antigos que Adrian ou Celestia liam em voz alta antes de tudo mudar. Nada se encaixava perfeitamente. Nenhum herói esquecido ou vilão ancestral com esse nome vinha à tona.
Seu corpo, ainda pequeno e frágil, sentia a pressão da mana suprimida. Era como ter um rio correndo dentro dela, mas com uma barragem invisível bloqueando seu fluxo, permitindo apenas um gotejar minúsculo, inofensivo. Ela estendeu a mão na direção da parede, imaginando os fios de mana que outrora poderia ter estendido para sentir a estrutura da pedra, a umidade, o calor. Agora, era apenas um vazio opaco. Frustração borbulhou, um calor amargo na boca do estômago.
Adrian dissera que ela era um risco, que sua conduta inadequada punha em perigo a linhagem. Aira fechou os olhos. Que conduta? Ela era um bebê, presa naquelas paredes há semanas. O único perigo que sentia era o que se acumulava dentro dela, uma raiva silenciosa, uma sede de conhecimento que ninguém parecia disposto a saciar. Ela abriu os olhos novamente, focando nos pontos e traços. Havia mais linhas, mais símbolos depois de “RUDRA”. Longas, intrincadas, parecendo um mapa enrolado, ou talvez uma instrução.
Era um trabalho lento, doloroso. Cada símbolo exigia concentração, uma paciência que ela mal sabia que possuía. O sol, quando finalmente conseguia espiar pelas pequenas frestas do dossel, marcava a passagem do tempo em quadrados fugazes no chão de pedra. Manhã, tarde, noite. Os dias se esvaiam, e a cada um, a resolução de Aira endurecia. Ela não seria mais um bebê indefeso, esperando. Ela era Aira Valcrest, e ela entenderia o que estava acontecendo. Ela faria a barragem ceder, se preciso fosse.
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