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Chapter 1: Asas Manchadas de Bourbon

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Graves profundos tremiam sob as solas de minhas botas de couro italiano, reverberando pelo metal do mezanino privado. Seul brilhava lá fora através das imensas janelas panorâmicas, uma colmeia febril que ignorava a guerra silenciosa travada em seus becos escuros. Eu governava aquela escuridão. Pandemonium era mais do que a boate mais exclusiva da cidade; era o meu santuário de pecado e poder, onde humanos ricos compravam ilusões e demônios vendiam segredos. Névoa espessa carregada de essência de ópio e menta flutuava pelo ar condicionado, misturando-se ao aroma sutil de álcool caro e luxúria. Sentado em minha poltrona de couro preto, eu girava um copo de bourbon de cem anos, observando o caos controlado abaixo de mim. Centenas de almas insignificantes buscando esquecimento na minha pista de dança se acotovelavam sob os feixes de neon vermelho e violeta. Tudo estava sob meu controle absoluto, como sempre deveria ser. Controle era minha armadura, a única coisa que me protegia de reviver a humilhação do passado. Mas, de repente, o equilíbrio perfeito da noite desmoronou com uma simples mudança na temperatura do ar. Cheiro de ozônio purificador e cinzas sagradas atingiu minhas narinas, fazendo o demônio sob minha pele rugir de repulsa imediata. Endireitei o corpo na poltrona, os sentidos instantaneamente em alerta máximo enquanto meus olhos varriam a área VIP privativa com precisão cirúrgica. Aquele odor irritante e mortal vinha de um garoto de cabelos prateados que tentava se esgueirar pelas sombras perto da saída privativa. Park Jimin. Ele trabalhava como barman na boate há duas semanas, uma contratação recente que eu pessoalmente havia autorizado devido à aura estranha e defensiva que ele exalava. Hoje, porém, ele não estava apenas servindo bebidas caras aos meus clientes mais ricos. Vi o movimento tenso de seus ombros e a forma como sua mão esquerda pressionava um volume cilíndrico contra a costela, por baixo do paletó cinza rasgado na lateral. Cinzas de querubim purificadoras. Somente aquela substância altamente ilegal exalava aquele calor sagrado capaz de queimar a essência de um demônio de dentro para fora, transformando nossa carne imortal em cinzas pretas. Ódio misturou-se a uma curiosidade perversa enquanto eu me levantava da poltrona, deixando o bourbon intocado sobre a mesa de mogno. Passos silenciosos me guiaram pelo corredor privado de veludo escuro, minhas botas de grife não emitindo som algum contra o chão de madeira nobre. "Procurando por uma saída rápida, passarinho?" Minha voz cortou o silêncio do corredor privativo como uma lâmina afiada, fria e carregada de uma promessa perigosa que costumava fazer homens fortes caírem de joelhos. Jimin congelou imediatamente no meio do corredor. Seus ombros magros se contraíram e vi o exato momento em que suas costas se tensionaram de forma não natural, como se algo estivesse lutando para se libertar sob o tecido de suas roupas. Lentamente, ele se virou para me encarar de frente. Aqueles olhos brilhantes, cheios de um orgulho feroz que eu desejava quebrar desde o primeiro dia, fixaram-se nos meus com um desafio aberto que me fez apertar o maxilar. "Não tenho tempo para suas provocações baratas, Jeon," Jimin sibilou, dando um passo lateral na tentativa óbvia de me contornar e alcançar a porta de emergência. "Você está no meu território, carregando algo que cheira a morte celestial," respondi, dando um passo rápido à frente para bloquear sua rota de fuga com meu próprio corpo imponente. Desespero brilhou em seu olhar por um milésimo de segundo antes de ser substituído por pura fúria combativa. Jimin tentou passar por mim com agilidade impressionante, mas eu era um demônio puro, um predador de elite moldado pela violência secular do submundo. Bloqueei seu caminho com o antebraço, mas ele reagiu de imediato, desferindo um soco direto em direção à minha mandíbula com uma força que facilmente quebraria o crânio de um humano comum. Desviei a cabeça por centímetros, sentindo o calor ardente do punho dele passar raspando pela minha bochecha. Empurrei-o com força total antes que ele pudesse se recuperar, prensando-o de costas contra a imensa parede de vidro temperado que separava o corredor VIP da pista de dança lá embaixo. Vidro rangeu violentamente com o impacto de nossos corpos combinados. Segurei seus dois pulsos acima de sua cabeça com uma única mão, prendendo-os contra a superfície gelada enquanto meu corpo o mantinha imobilizado contra o vidro. Segurei seus pulsos com tanta força que o frasco de prata escorregou de seus dedos trêmulos, caindo no chão com um som metálico que ecoou pelo corredor. "Me solta, seu monstro maldito!" Jimin rosnou, o som vindo das profundezas de seu peito, um tom que não continha nada de humano e vibrava com uma fúria ancestral. Descarga elétrica brutal e escaldante percorreu meus braços no instante em que nossas peles entraram em contato mais íntimo. Senti uma queimação dourada invadir meu peito, estraçalhando meu cinismo habitual e enviando um medo visceral diretamente para minha espinha. Aquela energia era pura luz celestial, mas estava corrompida por algo escuro e denso. Minhas mãos tremeram sob o impacto daquela força magnética avassaladora, uma atração violenta que me implorava para rasgar suas defesas e possuí-lo ali mesmo. Jimin debateu-se contra mim com uma força surpreendente, seus dentes brancos expostos em uma expressão de pura dor e ódio. Suas costas curvaram-se para a frente em um espasmo violento, e o tecido cinza de seu paletó cedeu completamente ao longo de sua coluna. Penas surgiram de suas costas em um flash de energia caótica que iluminou o corredor escuro. Metade delas brilhava com um ouro celestial ofuscante, enquanto a outra metade era negra como o piche do abismo, densa e faminta. Híbrido. Ele era um híbrido de anjo e demônio, uma criatura rara e perigosa que violava todas as leis sagradas de ambos os reinos e que eu nunca pensei encontrar em Seul. "Aberração fascinante..." murmurei, minha respiração falhando enquanto eu contemplava aquela visão proibida que logo desapareceu, as asas recolhendo-se sob a pele de suas costas. "Eu vou arrancar seus olhos se você continuar me olhando assim," ele cuspiu, os olhos brilhando em um tom duplo assustador: o esquerdo dourado como o sol, o direito negro como o vácuo. Fúria possessiva me dominou ao ver seu desafio contínuo mesmo estando completamente à minha mercê. Abandonei um de seus pulsos e levei minha mão direita diretamente ao seu pescoço, apertando a pele quente com força ameaçadora. Queria submetê-lo. Queria que ele entendesse que, naquele clube, eu era o único deus que importava. No entanto, no exato momento em que o poder demoníaco de minhas mãos tocou a pele de seu pescoço, o mundo pareceu parar. Queimação insuportável atingiu a palma da minha mão, acompanhada por um brilho azulado e gélido que começou a emanar de sua clavícula. Runas celestiais antigas desenharam-se sob a pele de Jimin, brilhando com uma intensidade que iluminou o corredor escuro. Aquele selo de propriedade não era apenas uma proteção divina comum contra demônios. Recuei cambaleando três passos para trás, soltando Jimin enquanto segurava minha mão direita, que agora exalava uma fumaça negra de queimadura sagrada. Olhei para o peito do híbrido, onde a marca brilhava com a assinatura de alma do ser que me traíra e me jogara no inferno.

End of Chapter 1